O governo argentino deu mais um passo na sua estratégia de austeridade ao anunciar, nesta segunda-feira (19), um plano de demissão voluntária que visa eliminar 20 mil postos de trabalho na administração pública. Essa medida é parte de uma política mais ampla que já resultou na destruição de mais de 77 mil empregos desde que Javier Milei assumiu a presidência, em dezembro de 2023.
O programa, que terá início em 1º de novembro e se estenderá por um mês, oferece compensações financeiras que variam de acordo com a idade e o tempo de serviço dos funcionários. No entanto, aqueles que optarem por participar do plano não poderão retornar ao setor público por um período de oito anos. O governo argumenta que a iniciativa visa promover uma “adequada e eficiente alocação dos recursos públicos”.
O ministro da Desregulação e Transformação do Estado, Federico Sturzenegger, reforçou a intenção do governo de reduzir os gastos públicos com o objetivo de diminuir impostos, ao afirmar em sua conta no X que a busca por novas formas de contenção financeira continua.
Essa política de contenção, apelidada de “motosserra”, não passou despercebida pelos sindicatos. A Associação de Trabalhadores do Estado (ATE) organizou uma marcha contra o plano, denunciando-o como uma “demissão extorsiva”. O secretário-geral do sindicato, Rodolfo Aguiar, expressou a total oposição à medida em sua conta no X.
Além dos cortes no setor público, o cenário econômico da Argentina é sombrio. O setor privado também sentiu os efeitos da crise, perdendo 270 mil empregos desde o final de 2023, conforme dados de fontes sindicais. A política de austeridade e a desaceleração da economia têm dificultado a recuperação do mercado de trabalho, que agora enfrenta uma taxa de informalidade de cerca de 45%, um aumento de três pontos percentuais nos últimos três anos.
Enquanto Sturzenegger afirma que 400 mil novas vagas foram criadas no país, é importante destacar que muitos desses empregos são informais, o que levanta questões sobre a qualidade do emprego gerado. O contraste entre o crescimento e a queda da inflação na Argentina se torna ainda mais evidente diante da crescente pobreza e do aumento do desemprego, refletindo a complexidade da atual situação econômica.
Crédito da imagem: Milei chama ONU de 'inútil' em discurso na Assembleia Geral



