O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem chamado a atenção ao propor uma mudança significativa na nomenclatura da inteligência artificial. Em recente discurso na Assembleia Geral da ONU, ele sugeriu que o termo “inteligência artificial” fosse substituído por “superinteligência”, argumentando que o nome atual passa a impressão de algo “falso”. A proposta, no entanto, levanta questões sobre sua viabilidade e real significado no contexto tecnológico.
Antes de chegar à sua escolha atual, Trump conduziu enquetes em sua rede social, a Truth Social, com sugestões como “Inteligência Superior” e “Inteligência Extrema”. Entretanto, a falta de clareza sobre a implementação dessa mudança e a ausência de diálogo com especialistas da área despertam dúvidas sobre a seriedade de sua proposta. Em um tom provocativo, o presidente também afirmou que consideraria “inimigos” aqueles que continuassem a usar o termo “inteligência artificial”.
A proposta de Trump não parece estar apenas relacionada a um desejo de rebranding, mas sim a uma tentativa de afirmar a liderança dos EUA no cenário global da tecnologia. Especialistas em inteligência artificial, como o professor Anderson Soares, da Universidade Federal de Goiás, apontam que a mudança de nomenclatura pode mais refletir uma estratégia política do que um avanço científico. Para Soares, a definição de inteligência em si é complexa e ainda carece de consenso no campo científico.
Cleber Zanchettin, da Universidade Federal de Pernambuco, também critica a abordagem de Trump, sugerindo que seu discurso na ONU é mais uma jogada de marketing do que uma proposta com impacto prático. Ele observa que a introdução de termos como “superinteligência” pode gerar receio entre a população, que já demonstra uma certa aversão à tecnologia. De fato, cerca de 52% dos brasileiros e 90% dos norte-americanos estão mais preocupados do que animados com o avanço da inteligência artificial, segundo pesquisas recentes.
A ideia de Trump de criar um novo termo para a inteligência artificial pode soar, para alguns, como uma tentativa de controlar a narrativa sobre uma tecnologia que já está profundamente enraizada no cotidiano. O termo “inteligência artificial” foi formalmente estabelecido na década de 1950, nas mãos de pioneiros como John McCarthy e Marvin Minsky, e desde então evoluiu para englobar uma variedade de aplicações que impactam nosso dia a dia, desde reconhecimento facial até assistentes virtuais.
Em última análise, a proposta de mudança de Trump levanta mais questões do que respostas. Se a intenção é realmente promover um entendimento mais claro e positivo sobre a tecnologia, será necessário um debate mais amplo e fundamentado, que vá além de slogans e enquetes em redes sociais.



