quinta-feira, 29/10/2026

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A crescente competitividade da carne de frango chinesa no mercado brasileiro com preços até 20% menores

A China, em um movimento estratégico de ampliação de sua segurança alimentar, encontrou uma oportunidade inesperada: a superprodução de carne e laticínios. Com um excedente que já não se destina apenas ao consumo interno,…

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A China, em um movimento estratégico de ampliação de sua segurança alimentar, encontrou uma oportunidade inesperada: a superprodução de carne e laticínios. Com um excedente que já não se destina apenas ao consumo interno, o país começou a exportar em volumes que ameaçam mercados tradicionais, como o brasileiro. Em 2025, as exportações de produtos avícolas alcançaram US$ 2,6 bilhões, quase o dobro do que foi registrado em 2020, segundo dados da agência Reuters.

O cenário atual é resultado de uma mudança nos hábitos alimentares da população chinesa, que, ao longo das últimas décadas, priorizou a carne suína. Contudo, essa tendência está se invertendo — o consumo de porco caiu 13% desde 2023, enquanto o de frango cresceu 50% na última década. Mesmo em um contexto de desaceleração econômica, a produção continua a crescer, com a China atingindo um recorde de 59 milhões de toneladas de carne suína em 2025.

Essa abundância tem permitido que os produtores chineses ofereçam preços até 20% inferiores aos produtos brasileiros, atraindo compradores em mercados que tradicionalmente se abasteciam com carnes do Brasil. A comerciante internacional de carnes Branexx, por exemplo, começou a adquirir aves da China após feedback de clientes africanos em busca de alternativas mais acessíveis.

O impacto da China no comércio global de carnes é visível. Desde 2022, sua participação no mercado de aves processadas da União Europeia dobrou para 10%, e no Reino Unido, triplicou, superando 14%. Essa expansão gera preocupações entre concorrentes, como a Tailândia, que veem os preços chineses sendo utilizados como referência nas negociações.

Além do frango, a China também se destaca no setor de laticínios, com exportações projetadas para alcançar US$ 600 milhões em 2026. Essa ascensão é sustentada por políticas de subsídios que, entre 2022 e 2024, representaram 13% da receita bruta dos produtores agrícolas, um aumento significativo em relação aos níveis do início dos anos 2000.

No entanto, a indústria chinesa ainda enfrenta desafios relacionados à qualidade e segurança alimentar. Escândalos passados criaram um histórico de desconfiança que precisa ser superado. Para consolidar sua posição no mercado internacional, os produtores devem garantir que seus produtos atendam aos rigorosos padrões exigidos por países como os da União Europeia, que planejam aumentar a rastreabilidade dos alimentos importados a partir de 2027.

Assim, enquanto a China se posiciona como uma força emergente no comércio global de proteínas, a combinação de produção em larga escala e preços competitivos pode acirrar a disputa com exportadores tradicionais, como o Brasil, exigindo uma adaptação rápida e eficaz por parte desses players do mercado.

Crédito da imagem: Entenda o comércio cruzado de frango Brasil x China