A promulgação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6×1 foi celebrada pelo Congresso Nacional na última sexta-feira, 16 de outubro. Este passo representa uma mudança significativa nas relações trabalhistas e estabelece um novo padrão para o descanso semanal dos trabalhadores, que passarão a ter direito a dois dias de folga remunerada. Contudo, as novas regras não terão efeito imediato e entrarão em vigor após um período de transição de dois meses.
De acordo com o advogado trabalhista Hugo Luiz Schiavo, a partir de 16 de dezembro de 2026, os trabalhadores verão suas jornadas de trabalho limitadas a 42 horas semanais, com um ano depois disso estabelecendo o teto de 40 horas. A proposta também traz a possibilidade de compensação em normas coletivas, desde que sejam respeitados os dois dias de descanso, um dos quais deve ser preferencialmente aos domingos.
Essas mudanças não afetam apenas o trabalhador, mas também impõem desafios às empresas, que precisarão reestruturar suas escalas e, possivelmente, contratar mais pessoal para atender à nova carga horária. Segundo Jorge Soares, advogado especializado em direito do Trabalho, a redução da jornada implica um aumento significativo no custo da hora trabalhada, o que poderá impactar a estrutura financeira das empresas.
A transição para as novas regras não será um processo simples. As empresas precisam planejar cuidadosamente como implementar as mudanças, adaptando suas operações e revisando contratos de trabalho conforme as novas diretrizes. Isso é ainda mais relevante para setores que operam em turnos contínuos, como saúde e segurança, que podem precisar de acordos específicos para organizar suas jornadas.
Embora a nova legislação não exija negociação coletiva para sua implementação, essa prática pode ser útil para adequações específicas em categorias com características distintas. A capacidade de cada setor em se adaptar às novas normas será crucial, e a forma como as empresas lidarem com essa transição poderá determinar o sucesso ou a dificuldade em manter a produtividade e a satisfação dos trabalhadores.
Em suma, a aprovação da PEC representa um avanço na proteção dos direitos dos trabalhadores, mas também traz à tona a necessidade de um planejamento cuidadoso por parte das empresas para que a implementação das novas regras ocorra de maneira sustentável e eficaz.



