quinta-feira, 29/10/2026

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Crescimento do PIB e redução do desemprego marcam balanço econômico do governo Lula, mas juros e dívidas continuam a ser desafios.

O terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva à frente do Brasil é marcado por um cenário econômico de crescimento, com o desemprego atingindo o menor patamar da história e a renda média…

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O terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva à frente do Brasil é marcado por um cenário econômico de crescimento, com o desemprego atingindo o menor patamar da história e a renda média do trabalhador apresentando avanços. No entanto, a reeleição do presidente, que ocorreu por uma estreita margem de 51,79% dos votos válidos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, revela um paradoxo: as melhorias econômicas não se traduziram em um sentimento de bem-estar financeiro abrangente entre a população.

A despeito dos números positivos, economistas apontam que o crescimento não beneficia de forma uniforme todos os setores e trabalhadores. A coordenadora do Boletim Macro da FGV, Silvia Matos, ressalta que o Produto Interno Bruto (PIB) pode esconder desigualdades significativas. “A média parece boa, mas não necessariamente está melhor para todo mundo”, destaca. Essa disparidade é visível entre atividades como agropecuária e serviços, que respondem de maneiras diferentes às condições econômicas.

O mercado de trabalho também apresenta nuances. Embora novas vagas tenham sido criadas, muitas delas concentram-se em setores de baixa qualificação, enquanto as oportunidades para profissionais mais especializados não avançaram na mesma proporção. José Luis Oreiro, professor da UnB, observa que o salário mínimo, apesar de reajustes, ainda está distante dos patamares de 2012 e 2013 em termos reais, o que limita o poder de compra das famílias.

O endividamento crescente das famílias é outro fator que pressiona os orçamentos. Em julho de 2026, 28,7% da renda mensal foi destinada ao pagamento de dívidas, com um aumento na proporção de famílias endividadas, que passou de 78% para 81,7% em menos de um ano. Programas de renegociação de dívidas, como o Desenrola, foram lançados pelo governo, mas economistas como Alessandra Ribeiro alertam que essas iniciativas, embora úteis no curto prazo, não resolvem problemas estruturais que levam ao endividamento.

A pressão sobre as contas públicas, exacerbada por gastos crescentes e um déficit primário preocupante, também influencia a política de juros. A taxa Selic, que começou 2023 em 13,75% e passou por flutuações, afeta a capacidade de consumo das famílias e os investimentos das empresas. Enquanto isso, a condução da política fiscal tem sido criticada por especialistas, que apontam um desequilíbrio que pode comprometer a estabilidade econômica a longo prazo.

Em meio a esse cenário complexo e polarizado, a percepção pública do governo se torna ainda mais desafiadora. Mudanças nas expectativas da população, especialmente entre a classe média, refletem um desejo por mais autonomia e menos dependência de políticas sociais. A luta do governo Lula para consolidar uma base de apoio sólida é um reflexo direto dessa dinâmica, onde as expectativas não atendidas podem levar a uma frustração generalizada.

Portanto, apesar dos avanços econômicos, a realidade é que muitos brasileiros ainda enfrentam dificuldades financeiras, evidenciando a necessidade de um alinhamento mais eficaz entre políticas públicas e as expectativas da população. O governo Lula, embora tenha alcançado resultados positivos em algumas áreas, ainda terá que lidar com a complexa relação entre economia, política e a realidade cotidiana dos cidadãos.