quinta-feira, 29/10/2026

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Ministro da Fazenda defende ajuste fiscal responsável, em contraste com propostas mais drásticas de Flávio

Em meio a um cenário econômico desafiador, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu nesta sexta-feira (23) a proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que visa um ajuste fiscal cauteloso das contas…

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Em meio a um cenário econômico desafiador, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu nesta sexta-feira (23) a proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que visa um ajuste fiscal cauteloso das contas públicas. Durigan enfatizou que não se pretende realizar “cavalo de pau” ou “fazer loucuras” na economia, destacando a necessidade de controlar o endividamento público para baixar as taxas de juros e, assim, estimular a recuperação econômica que enfrenta desaceleração.

Em entrevista ao Uol, Durigan, atuando como representante da campanha de Lula, demonstrou ceticismo em relação à viabilidade de um ajuste fiscal de R$ 200 bilhões em um único ano. “Melhorar o fiscal é necessário, mas sem retrocessos. A proposta de um ajuste de R$ 200 bilhões, como eles estão sugerindo, é irrealista. Se a oposição propusesse a suspensão de reajustes e cortes em programas, isso poderia trazer mais clareza, mas ainda assim seria uma tarefa difícil”, afirmou o ministro.

A preocupação com a trajetória das contas públicas tem sido um tema recorrente entre analistas. Eles alertam que os déficits fiscais acumulados pressionam a taxa de juros e o endividamento público, demandando um ajuste fiscal mais contundente por parte do governo para estabilizar a economia. A campanha do candidato Flávio Bolsonaro, que disputa o segundo turno com Lula no próximo domingo (25), promete um ajuste mais agressivo, caracterizado por um “tesouraço” nos gastos públicos.

O programa de governo de Bolsonaro, intitulado “Brasil que Não Volta Atrás”, promete equilíbrio fiscal por meio da reforma do Estado, combate à corrupção e redução de impostos. Daniella Marques, coordenadora da campanha da oposição, foi convidada para a entrevista, mas justificou sua ausência por problemas de agenda.

Por outro lado, economistas mostram-se céticos quanto à possibilidade de um ajuste fiscal rápido e significativo, especialmente diante dos compromissos de manter programas sociais e assegurar aumentos reais para o salário mínimo e aposentadorias. Durigan reiterou que a proposta do Partido dos Trabalhadores sugere um ajuste fiscal mais gradual, com a meta de alcançar um superávit nas contas públicas até 2027.

A proposta prevê um ajuste de cerca de dois pontos do PIB entre 2027 e 2030, levando o déficit primário projetado de 0,4% do PIB em 2026 a um superávit de 1,6% do PIB em 2030. Contudo, especialistas da Instituição Fiscal Independente (IFI) alertam que, para estabilizar a dívida pública, seria necessário um superávit primário anual de 2,1% do PIB, o que complicaria ainda mais as expectativas de recuperação econômica.