Em uma iniciativa que visa proteger os consumidores mais vulneráveis do país, o Banco Central (BC) anunciou nesta sexta-feira (23) novas diretrizes para a oferta de crédito, com foco na prevenção do endividamento excessivo. As novas regras, que entrarão em vigor em 31 de março de 2027, exigirão que bancos e instituições financeiras obtenham uma autorização clara e específica dos clientes antes de realizar qualquer proposta ativa de crédito.
Além de requerer o consentimento do consumidor, a norma estabelece que as ofertas devem se restringir a operações que efetivamente melhorem a saúde financeira dos clientes, como a renegociação de dívidas ou a portabilidade de crédito. Assim, as instituições ficam proibidas de propor novos recursos, evitando, dessa forma, que os consumidores se vejam em situações ainda mais complicadas financeiramente.
Essa é apenas uma das três resoluções aprovadas pelo BC, que buscam reforçar a proteção ao consumidor nas relações de crédito. Segundo o órgão, o objetivo é garantir uma maior transparência e informação em relação às ofertas de crédito, enquanto trabalha para minimizar as chances de endividamento desenfreado.
É importante destacar que os consumidores ainda terão a liberdade de pesquisar e contratar produtos financeiros por conta própria. Além disso, o BC estabeleceu a necessidade de um mecanismo que permita a todos os clientes bloquear propagandas e ofertas ativas de crédito, independentemente de sua situação financeira.
Outra inovação significativa é a criação do Painel de Dívidas Consolidadas, programado para ser lançado em 1º de julho de 2027. Essa ferramenta reunirá informações sobre as operações de crédito dos clientes, oferecendo uma visão mais clara do total de dívidas e do comprometimento da renda com pagamentos. Os bancos terão a obrigação de apresentar simulações de custos e alertar sobre riscos antes de novas contratações.
As mudanças também atingem o uso do Pix, que, a partir de 1º de julho de 2027, terá novas exigências para a oferta de crédito durante transações. As instituições precisarão obter o consentimento do usuário antes de fazer qualquer oferta e garantir um intervalo de 24 horas entre a habilitação do serviço e a primeira proposta de crédito. Embora as novas regras tragam algumas restrições, o BC assegurou que os valores das transações continuariam a ser creditados de forma instantânea.
Essas medidas representam um passo importante na direção de uma maior responsabilidade das instituições financeiras e na proteção dos consumidores, especialmente os que se encontram em situações mais delicadas. A expectativa é que, com a implementação dessas regras, seja possível conter o crescimento do endividamento e promover um ambiente financeiro mais saudável para todos.
Crédito da imagem: Banco Central do Brasil (BC).



